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PASSARIM
Umberto Krenak
- Vamuvê a rua, nêgo!
O velho apanha a gaiola dependurada na área de serviço.
- E quentar um poquim...
Caminha para a janela lateral que recebe o sol do fim da tarde.
- Não vai cantar, monêgo? Canta pro Alaor, canta!
Passopreto enjaulado não faz festa. Está recolhido a um canto, cabisbaixo.
- Olha – o velho aponta para um ponto onde o paredão de edifícios que os cerca ameaça mergulhar numa nesga de azul –, aquilo podia ser seu. – Abre a gaiola e delicadamente toma a avezinha com as mãos em concha. Olhos nos olhos irrequietos: - mas são tantos perigos, tantos...Aqui estamos seguros – beija-lhe a cabecinha.
Passarinho não canta.
Escrito por Krenak às 10h08
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